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Spotify revela lista dos podcasts mais ouvidos da história e Brasil aparece com “Não Inviabilize”

Programa comandado por Déia Freitas ficou na 12ª posição de um ranking global com 20 títulos, à frente de nomes consagrados do audio internacional

O Spotify divulgou nesta semana um levantamento inédito reunindo os vinte podcasts mais ouvidos desde a criação da plataforma, e a lista trouxe uma surpresa positiva para o público brasileiro. Em meio a produções consolidadas nos Estados Unidos e na Europa, o programa “Não Inviabilize”, apresentado pela psicóloga Déia Freitas, aparece na 12ª colocação, logo atrás de “Call Her Daddy”, da norte-americana Alex Cooper. O primeiro lugar do ranking ficou com “The Joe Rogan Experience”, conforme informou a CNN Brasil.

Criado em 2020, “Não Inviabilize” construiu sua audiência a partir de um formato pouco convencional para os padrões do mercado global de áudio. Em vez de entrevistas ou debates, o programa se apoia em relatos enviados pelos próprios ouvintes, organizados em blocos temáticos como histórias de amor, situações de trapaça no cotidiano, casos de terror e narrativas de humor. Essa estrutura, dividida em quadros fixos, ajuda a explicar por que o podcast conseguiu se manter relevante ano após ano, mesmo competindo com produções apoiadas por grandes estúdios e orçamentos publicitários muito maiores.

Um ranking dominado por produções internacionais

A lista completa reforça o quanto o mercado de podcasts em língua inglesa e alemã segue concentrando as posições de destaque. Depois de “The Joe Rogan Experience”, aparecem títulos como “Gemischtes Hack”, da dupla alemã Felix Lobrecht e Tommi Schmitt, e “Crime Junkie”, produzido pela Audiochuck. Programas de true crime, aliás, ocupam boa parte do ranking, incluindo “Last Podcast On The Left”, “Morbid” e “My Favorite Murder with Karen Kilgariff and Georgia Hardstark”, o que confirma a força desse gênero na audiência global de áudio sob demanda.

Ainda assim, a presença de “Não Inviabilize” entre apenas vinte produções de todos os tempos tem peso simbólico para o mercado brasileiro. O país figura como um dos maiores consumidores de podcasts do mundo, mas raramente aparece em rankings internacionais consolidados pela própria plataforma que os produz. A inclusão do programa de Déia Freitas na lista sinaliza que conteúdos nativos, pensados para o público local e sem grandes campanhas de marketing internacional, também conseguem competir em escala global quando conquistam fidelidade de audiência ao longo dos anos.

O que explica o sucesso de longo prazo do formato

Um dos fatores que costuma ser citado por especialistas do setor é a periodicidade. Programas que mantêm episódios semanais ou diários tendem a criar um hábito de consumo mais forte, e isso se aplica diretamente ao caso de “Não Inviabilize”, que segue publicando conteúdo novo de forma constante desde seu lançamento. Essa regularidade cria uma rotina de escuta que se acumula ao longo dos anos, o que ajuda a compensar a ausência de picos de viralização pontuais, comuns em outros formatos de entretenimento digital.

Outro ponto de destaque é a participação direta do público na construção do conteúdo. Ao permitir que ouvintes enviem suas próprias histórias para serem lidas e comentadas no ar, o programa cria um vínculo diferente daquele estabelecido por podcasts baseados apenas em entrevistas ou análises. Esse tipo de interação tende a gerar senso de pertencimento, o que reflete diretamente em taxas de retenção mais altas e em recomendações espontâneas entre ouvintes, um dos principais motores de crescimento orgânico no setor de áudio digital.

A publicação do ranking também reacende o debate sobre como medir sucesso no mercado de podcasts, já que o critério usado pelo Spotify privilegia o consumo acumulado ao longo do tempo, e não picos recentes de audiência. Para criadores brasileiros, o resultado funciona como um indicativo de que investir em consistência e em formatos que dialoguem diretamente com o cotidiano do público pode ser tão eficaz quanto grandes contratos de exclusividade ou parcerias com nomes já consagrados da mídia tradicional.

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