Escolher uma bicicleta ou scooter elétrica envolve mais do que observar o preço e o visual do modelo, pontua Fredy da Silva Gonçalves Bento, empresário. Bateria, autonomia e velocidade interferem diretamente na experiência de uso, mas cada característica responde a uma necessidade diferente. Além disso, os números apresentados na ficha técnica precisam ser interpretados de acordo com o tipo de trajeto, peso transportado, terreno e forma de condução.
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O que a bateria realmente determina?
A bateria é o componente responsável por armazenar a energia utilizada pelo sistema elétrico. Sua capacidade costuma ser expressa em watt-hora, medida que permite compreender melhor a quantidade de energia disponível do que observar apenas a voltagem. Uma bateria com maior capacidade tende a oferecer mais energia armazenada, embora isso não signifique, sozinha, uma autonomia proporcionalmente maior.
O consumo também depende de outros fatores. Peso do condutor, inclinação das vias, vento, frequência de aceleração, velocidade utilizada e pressão dos pneus podem alterar o gasto energético. Por isso, dois usuários utilizando o mesmo modelo podem alcançar resultados diferentes em uma única carga. O tipo de percurso também interfere diretamente nesse resultado, já que trajetos com muitas subidas, paradas e retomadas tendem a exigir mais energia da bateria ao longo do deslocamento.
Fredy da Silva Gonçalves Bento, empresário e CEO da Litoral Mobilidade, atua no setor de mobilidade elétrica, em que a escolha do equipamento precisa considerar justamente a relação entre as características técnicas e o uso pretendido. Para o consumidor, entender essa relação ajuda a evitar uma compra baseada apenas no número destacado na embalagem. Avaliar a distância percorrida diariamente, as condições das vias e a frequência de recarga permite interpretar melhor os dados apresentados pelo fabricante e escolher um modelo compatível com a rotina de uso.
Como interpretar a autonomia anunciada?
A autonomia representa a distância que o veículo consegue percorrer antes de precisar recarregar a bateria. O problema é que esse número normalmente resulta de condições específicas de teste e pode não corresponder exatamente ao desempenho encontrado nas ruas. Por isso, a autonomia indicada pelo fabricante deve ser entendida como uma referência, e não como uma garantia para qualquer situação.

Um trajeto predominantemente plano, com velocidade moderada e menor frequência de acelerações tende a exigir menos energia, informa Fredy da Silva Gonçalves Bento. Já percursos com subidas, paradas constantes e maior velocidade podem aumentar o consumo. O peso transportado também interfere, especialmente quando o veículo é utilizado em deslocamentos mais longos.
Velocidade maior significa veículo melhor?
A velocidade máxima costuma chamar atenção na hora da compra, mas não é necessariamente o melhor indicador de qualidade. Para deslocamentos urbanos, a adequação do veículo ao ambiente de circulação pode ser mais relevante do que alcançar velocidades superiores. Quanto maior o ritmo, maior também pode ser o consumo de energia e a necessidade de atenção durante a condução.
Existe ainda uma questão regulatória. No Brasil, a velocidade máxima e outras características técnicas participam da classificação dos veículos elétricos. Bicicletas elétricas e equipamentos de mobilidade individual autopropelidos, por exemplo, possuem critérios específicos que precisam ser respeitados para permanecerem nessas categorias. Ultrapassar determinados limites pode fazer com que o modelo seja enquadrado de maneira diferente, alterando também as exigências relacionadas à sua circulação.
Fredy da Silva Gonçalves Bento acompanha esse mercado a partir de sua atuação empresarial na mobilidade elétrica, segmento em que diferentes modelos atendem a propostas distintas. Por isso, comparar velocidade sem observar a categoria do veículo pode levar o consumidor a priorizar uma característica que não corresponde ao seu verdadeiro objetivo. Para quem busca um veículo para deslocamentos urbanos, fatores como autonomia, facilidade de recarga, conforto e adequação ao percurso podem ser mais relevantes do que simplesmente alcançar uma velocidade maior.



