Diretora de marketing da plataforma afirma que a empresa segue testando modelos de parceria no segundo semestre de 2026
A Netflix confirmou que pretende fechar novos acordos com produtores de podcasts ainda na segunda metade de 2026, ampliando uma estratégia que já rendeu parcerias de peso ao longo do ano. A declaração partiu da diretora de marketing da empresa, Marian Lee, em entrevista concedida ao podcast Scalable durante o festival Cannes Lions, conforme relatou o portal Castnews. Segundo Lee, a companhia vem experimentando diferentes formatos de contrato para entender o que funciona melhor, e não hesita em ajustar a estratégia quando um modelo específico não corresponde às expectativas.
Um dos destaques recentes dessa movimentação é o acordo fechado com o apresentador Jay Shetty, que passará a distribuir seu podcast “On Purpose” com exclusividade para Netflix e Spotify. A mudança representa um corte significativo em relação ao modelo anterior de Shetty, que deixará de publicar episódios completos para os 5,7 milhões de inscritos de seu canal no YouTube, ainda que continue postando cortes curtos na plataforma de vídeos. O valor do contrato foi estimado em cerca de cem milhões de dólares, o equivalente a aproximadamente quinhentos e cinquenta milhões de reais.
Uma estratégia que evoluiu ao longo do ano
Nem todos os acordos recentes da Netflix seguiram o mesmo modelo de exclusividade. Em parcerias anteriores, como as fechadas com os criadores Mark Rober e Ms. Rachel, não houve exigência de retirada dos programas do YouTube. Rober assinou com a plataforma em agosto de 2025, enquanto os episódios de Ms. Rachel já estavam disponíveis no serviço de streaming desde janeiro daquele ano. Já em maio de 2025, a companhia começou a pressionar por contratos com exclusividade, movimento que esbarrou na resistência de parte dos criadores, preocupados com a possível redução de receita e com o freio no crescimento de seus canais originais.
Esse histórico ajuda a entender por que apresentadores de podcast têm se mostrado mais dispostos a testar novas plataformas do que criadores tradicionais do YouTube com trajetórias mais longas. Ainda assim, os próprios dados do setor sugerem cautela: segundo levantamento da Cumulus Media em parceria com a Signal Hill Insights, divulgado em outubro de 2025, cerca de 70% dos consumidores de podcasts nos Estados Unidos afirmaram que trocariam de plataforma caso um programa passasse a ficar disponível apenas em outro serviço, mesmo com o YouTube reunindo mais de 1 bilhão de espectadores mensais de conteúdo de áudio e vídeo.
O que está por trás da aposta da Netflix
Segundo Marian Lee, a divulgação desses conteúdos exige uma abordagem diferente da usada tradicionalmente para séries e filmes, já que criadores de redes sociais constroem suas audiências de forma distinta da produção convencional de Hollywood. Mesmo assim, a executiva enxerga paralelos entre esse tipo de criador e alguns dos maiores sucessos do catálogo da empresa, citando como exemplo a forma como a produtora Shonda Rhimes planeja o universo de “Bridgerton” a longo prazo, incluindo desdobramentos como produtos licenciados e tendências de moda vinculadas às temporadas da série.
A distância entre o discurso dos consumidores e o comportamento real de audiência, no entanto, segue sendo o principal ponto de atenção para o mercado. O sucesso da aposta da Netflix em podcasts dependerá, em grande medida, de quantas pessoas efetivamente migrarem para os novos contratos fechados ao longo do ano, um teste que só poderá ser avaliado com clareza nos próximos meses, à medida que mais desses acordos entrarem em vigor e a audiência real puder ser mensurada frente às expectativas do streaming.



