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Psicanálise no núcleo familiar vai além da terapia individual clássica, aponta a psicanalista Taiza Tosatt Eleoterio

A psicanalista Taiza Tosatt Eleoterio, especialista em saúde mental e relações familiares, nota que muita gente associa psicanálise apenas à imagem clássica e um tanto ultrapassada do divã individual, uma pessoa falando sozinha enquanto o profissional escuta em silêncio quase absoluto. Essa imagem não está errada, mas é apenas uma parte do que a psicanálise pode oferecer enquanto método de cuidado.

Observa-se, portanto, que, quando aplicada ao contexto familiar, a psicanálise ganha uma dimensão bastante diferente, voltada não apenas ao sofrimento individual, mas às dinâmicas que se formam entre as pessoas que convivem sob o mesmo teto ao longo de muitos anos.

O que é psicanálise, em termos simples?

Psicanálise é um método de investigação e cuidado que parte da ideia de que boa parte do que sentimos e fazemos no dia a dia tem origem em processos internos que não estão totalmente acessíveis à consciência, formados ao longo de toda a história de vida de cada pessoa. Trabalhar esses processos, trazendo-os à tona aos poucos, é parte do que sustenta o método como um todo.

Taiza Tosatt Eleoterio alude ao fato de que, no consultório, isso costuma acontecer por meio da fala livre, conceito fundamental da psicanálise, da escuta atenta e paciente e da análise cuidadosa de padrões que se repetem na vida da pessoa, muitas vezes sem que ela perceba conscientemente que está repetindo algo já conhecido de outras fases da vida.

Como ela se aplica especificamente ao contexto familiar?

Quando o foco do trabalho passa a ser a família como um todo, a investigação abrange não apenas o que cada pessoa sente individualmente, mas o que se passa entre elas: os papéis que cada uma assume, os conflitos que se repetem sempre da mesma forma, os silêncios que se tornam regra sem que ninguém tenha decidido isso conscientemente.

Taiza Tosatt Eleoterio destaca que essa abordagem específica permite enxergar problemas que pareciam individuais, como a ansiedade de um filho ou o distanciamento de um casal, como parte de uma dinâmica maior, moldada por décadas de convivência e por padrões que atravessam gerações inteiras de uma mesma família, muitas vezes repetidos sem que ninguém tenha percebido conscientemente a repetição.

Por que família e indivíduo não podem ser tratados como coisas separadas?

Ninguém desenvolve sua vida emocional isolado das relações que o cercam desde cedo. Por isso, tentar tratar o sofrimento individual sem considerar o ambiente familiar em que ele acontece costuma produzir resultados limitados e de curta duração, que se desfazem assim que a pessoa retorna ao mesmo contexto de origem que a fez adoecer.

Taiza Tosatt Eleoterio pondera que a psicanálise aplicada à família não substitui de forma alguma o trabalho individual, mas o complementa, oferecendo uma camada adicional de compreensão sobre o que sustenta determinados padrões de sofrimento dentro de casa, muitas vezes invisíveis quando o foco de atenção está apenas numa única pessoa da família.

O que esperar de um processo psicanalítico familiar?

O processo costuma envolver tanto encontros com a família reunida inteira quanto momentos individuais com cada integrante, dependendo do que cada fase específica do trabalho exige. Taiza Tosatt Eleoterio frisa que não há fórmula fixa nem promessa de solução rápida, e desconfiar de quem oferece isso costuma ser bastante sensato.

O que se pode esperar, de forma mais consistente e realista, é um espaço estruturado para que padrões antigos sejam finalmente nomeados, discutidos com honestidade e, quando possível, transformados em algo mais saudável para todos os envolvidos na dinâmica familiar, mesmo que esse processo leve tempo e passe por avanços e recuos ao longo do caminho.

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