A expansão do vídeo entre os podcasts brasileiros ganha uma nova frente comercial a partir de 19 de outubro de 2026. Nessa data, o Spotify Partner Program começará a operar no Brasil, com um modelo que combina publicidade, receita associada ao consumo de vídeos por assinantes Premium e ferramentas para organizar patrocínios próprios. A medida coloca os produtores brasileiros no centro da maior expansão internacional já anunciada pela plataforma para o programa.
O anúncio foi feito pelo Spotify em 17 de setembro, quando a empresa informou que levaria o programa a mais de 35 novos mercados. Além do Brasil, a lista inclui países como México, Colômbia, Chile, Peru, Espanha, Itália e Polônia. Segundo o Spotify Newsroom, a iniciativa pretende ampliar as oportunidades de negócio para criadores e melhorar a experiência de quem acompanha podcasts em vídeo.
Como funciona a nova monetização
O programa reúne diferentes fontes de receita em uma mesma estrutura. De acordo com a página oficial de suporte do Spotify Partner Program, os criadores podem receber valores provenientes de anúncios exibidos nos episódios e da audiência de vídeos consumidos por usuários do Spotify Premium em mercados selecionados.
No caso da publicidade, o Spotify informa que o criador recebe 50% da participação nos lucros reconhecidos quando um anúncio monetizado pela plataforma é reproduzido em seus episódios, dentro ou fora do Spotify. O produtor também precisa inserir pelo menos um intervalo comercial no episódio para habilitar a geração de receita publicitária.
Já a remuneração dos vídeos Premium é calculada com base no consumo qualificado do conteúdo. Entre os fatores considerados estão o tempo assistido, o mercado de registro dos assinantes, o número de usuários Premium que acessam os episódios e o volume total de vídeos elegíveis consumidos na plataforma. Para o público Premium, os anúncios dinâmicos são retirados dos videocasts participantes, enquanto os patrocínios inseridos pelo próprio produtor permanecem no programa.
Requisitos para participar no Brasil
A entrada no Spotify Partner Program não será automática para todos os podcasts. O programa precisa estar hospedado no Spotify for Creators, ter endereço legal em um dos mercados elegíveis e contar com pelo menos três episódios publicados. Também é necessário alcançar, nos 30 dias anteriores, no mínimo 2 mil horas de consumo no Spotify e uma audiência de pelo menos mil pessoas na plataforma.
O Spotify afirma que os critérios são verificados na área “Monetizar” do Spotify for Creators. Depois da inscrição, o conteúdo passa por análise de acordo com as políticas de monetização da empresa. Projetos hospedados no Megaphone, solução empresarial de podcasts do Spotify, devem consultar seus representantes para verificar as condições específicas de participação.
A documentação oficial também estabelece requisitos de atividade contínua. Para permanecer apto ao programa, o podcast precisa publicar ao menos um episódio e gerar pelo menos US$ 10 em qualquer período de seis meses. Após a aprovação, o responsável deve configurar os dados de pagamento no Spotify Payouts antes de começar a receber os valores acumulados.
O impacto para podcasts em áudio e vídeo
O desenho do programa favorece produtores que trabalham com mais de um formato. Um mesmo projeto pode manter episódios em áudio para alcançar ouvintes em diferentes plataformas e, ao mesmo tempo, publicar versões em vídeo para explorar a audiência visual do Spotify. A estratégia aproxima o podcast da lógica dos negócios de criadores, nos quais distribuição, publicidade e relacionamento com a comunidade funcionam de forma integrada.
Dados divulgados pelo Spotify e reproduzidos pela Reuters, em publicação do UOL, indicam que a audiência mensal de podcasts em vídeo no Brasil cresceu 60% no último ano. O formato já corresponde a um terço das horas de podcasts consumidas na plataforma no país, enquanto o consumo geral de podcasts aumentou 126% nos últimos cinco anos.
Esse cenário ajuda a explicar por que o Spotify está ampliando a remuneração para projetos que combinam voz, imagem e participação da audiência. A empresa informou que, após mudanças nos critérios de elegibilidade, os pagamentos mensais aos programas inscritos cresceram mais de um terço. Os videocasts participantes também registraram crescimento médio superior a 45% nas horas de consumo desde o lançamento do programa, segundo o comunicado oficial.
Para os podcasters brasileiros, a novidade representa uma alternativa adicional às negociações diretas com marcas, vendas de produtos, assinaturas e publicidade comercializada fora das plataformas. A chegada do Partner Program não substitui essas fontes, mas acrescenta uma camada de monetização vinculada ao desempenho do conteúdo e à forma como cada público escolhe ouvir ou assistir aos episódios.
Em reportagem publicada em 17 de setembro, o Meio & Mensagem destacou que a operação brasileira faz parte de uma expansão global voltada a criadores de áudio e vídeo. Com o início previsto para 19 de outubro de 2026, o programa passa a oferecer aos produtores locais uma estrutura própria para transformar audiência em receita dentro do ecossistema do Spotify.




