Elmar Juan Passos Varjão Bomfim é um dos profissionais do setor de engenharia e infraestrutura que acompanham com atenção a retomada dos debates sobre obras hídricas no Brasil. O país convive há décadas com um paradoxo: possui cerca de 12% de toda a água doce superficial do planeta, mas ainda enfrenta crises de abastecimento em regiões densamente povoadas, colapso de sistemas de saneamento em cidades médias e vulnerabilidade crescente diante das mudanças climáticas. Entender por que essa contradição persiste e o que está sendo feito para superá-la é essencial para quem acompanha o setor de infraestrutura com seriedade.
Saneamento básico: a obra inacabada que compromete o desenvolvimento
O desenvolvimento de projetos de saneamento de grande escala no Brasil passou por mudanças profundas após a virada regulatória de 2020. Diante desse cenário de abertura para investimentos privados, Elmar Juan Passos Varjão Bomfim acompanha de perto a imposição de prazos rígidos de atendimento à população. O diagnóstico técnico indica que o ritmo de cumprimento desses parâmetros jurídicos nos municípios de menor porte permanece condicionado às complexidades operacionais locais.
A transferência de concessões de autarquias municipais para operadores privados ou regionalizados exige processos licitatórios complexos, estudos de viabilidade detalhados e estruturação financeira compatível com o horizonte de retorno desses investimentos, que tipicamente ultrapassa 30 anos. Municípios sem capacidade técnica própria dependem de apoio estadual ou federal para estruturar essas transações, e esse suporte ainda é irregular. O resultado é que a universalização prevista para 2033 enfrenta riscos concretos de atraso em diversas regiões.
Por que a segurança hídrica virou prioridade na agenda de infraestrutura?
A segurança hídrica ganhou espaço crescente nas discussões sobre planejamento territorial e destinação de investimentos públicos no Brasil. Esse cenário é monitorado por Elmar Juan Passos Varjão Bomfim a partir das demandas por infraestrutura de grande escala. As secas prolongadas nas regiões Nordeste e Centro-Oeste, associadas a episódios de enchentes severas no Sul e no Sudeste, evidenciam a necessidade de uma política hídrica nacional estruturada, que supere a lógica da gestão de crises pontuais.

Reservatórios, sistemas de transposição, redes de drenagem urbana e bacias de contenção são elementos de uma infraestrutura complexa que demanda visão de longo prazo e financiamento estável. O problema é que obras hídricas têm ciclos de maturação longos e benefícios difusos, características que historicamente as tornam menos atrativas politicamente do que obras de impacto imediato e visível. Superar esse viés requer tanto mudanças institucionais quanto uma nova geração de gestores capazes de comunicar o valor estratégico dessas intervenções.
Tecnologia e monitoramento: como a engenharia está modernizando a gestão das águas
A modernização dos sistemas hídricos no Brasil ocorre por meio da implementação de tecnologias de monitoramento e automação em tempo real. Sensores instalados em rios, reservatórios e redes de distribuição enviam dados contínuos para centrais de controle, o que viabiliza a localização de vazamentos, a previsão de cheias e a regulagem operacional de barragens. Esse arranjo técnico eleva os índices de precisão operacional das estruturas de captação e escoamento.
Elmar Juan Passos Varjão Bomfim analisa que a aplicação de modelos hidrológicos baseados em inteligência artificial transforma as premissas de planejamento do setor. A capacidade preditiva para simular cenários de estiagem permite que operadores de grande porte executem ações preventivas de alocação de recursos. Para o segmento de construção e infraestrutura, essa transição impõe a necessidade de novos projetos focados na adequação de obras existentes para a integração desses sistemas digitais.
O momento em que esperar deixa de ser uma opção
Elmar Juan Passos Varjão Bomfim, como CEO da André Guimarães Engenharia e Infraestrutura, está inserido num mercado que começa a compreender que o adiamento dos investimentos em infraestrutura hídrica tem custos que superam em muito os valores necessários para executá-los. Cada ano de atraso na expansão do saneamento representa bilhões em gastos com saúde pública, perda de produtividade e danos ambientais que se acumulam silenciosamente. A conta do adiamento, em algum momento, sempre chega.
O Brasil possui hoje um conjunto de condições favoráveis que raramente coincidiram no passado: marco regulatório moderno, interesse de investidores institucionais, linhas de financiamento disponíveis e pressão da sociedade por resultados concretos. Transformar esse conjunto de fatores em obras efetivamente executadas depende da qualidade da gestão, da capacidade técnica dos operadores e da seriedade com que o setor trata cada contrato firmado. Profissionais com experiência real em grandes projetos têm um papel insubstituível nesse processo.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez



