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Geriatria baseada em funcionalidade: O que observar? Saiba com o Doutor Yuri Silva Portela

Doutor Yuri Silva Portela, pós-graduado em geriatria, destaca a importância de observar como a pessoa idosa realiza as atividades do cotidiano, e não apenas quais doenças apresenta. Na geriatria, a funcionalidade envolve a capacidade de caminhar, tomar decisões, cuidar da própria rotina e manter atividades que fazem parte da vida. Esse olhar pode revelar mudanças importantes antes que uma perda de independência se torne evidente.

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Por que a funcionalidade importa na geriatria?

Duas pessoas podem ter o mesmo diagnóstico e apresentar níveis muito diferentes de independência. Enquanto uma mantém suas atividades habituais, outra pode precisar de auxílio para tomar banho, preparar refeições ou sair de casa. Por isso, conhecer a doença não é suficiente para compreender o impacto que ela produz na vida cotidiana. Também é preciso entender quais tarefas foram preservadas, quais passaram a exigir ajuda e em que medida essas mudanças interferem na rotina. 

Yuri Silva Portela expõe que a avaliação funcional ajuda a identificar essas diferenças. Uma dor, por exemplo, pode levar o idoso a caminhar menos, evitar determinados lugares ou abandonar atividades que costumava realizar. Com o tempo, essa redução pode favorecer perda de condicionamento e aumentar a dependência. O afastamento progressivo dessas atividades pode ainda limitar a convivência social e diminuir a confiança para realizar tarefas sozinho. 

Convém lembrar que observar a funcionalidade permite acompanhar mudanças em relação ao padrão anterior. Uma dificuldade que surgiu recentemente pode ter significado diferente de uma limitação antiga. Essa distinção contribui para uma investigação mais adequada e para decisões de cuidado mais individualizadas. Uma alteração recente pode indicar desde uma mudança clínica até um efeito relacionado ao uso de medicamentos ou às condições do ambiente. 

Quais atividades revelam alterações importantes? Veja com o Doutor Yuri Silva Portela

Tarefas aparentemente simples fornecem informações relevantes sobre a condição do idoso, comenta o Doutor Yuri Silva Portela. Levantar-se de uma cadeira, tomar banho, vestir-se, preparar uma refeição e caminhar pela própria casa mostram como diferentes capacidades estão funcionando juntas durante a rotina. Mudanças nessas atividades podem indicar alterações que ainda não foram percebidas como um problema de saúde pela própria pessoa ou por seus familiares.

Yuri Silva Portela
Yuri Silva Portela

A mobilidade merece atenção especial. Quando alguém começa a evitar escadas, reduzir passeios ou depender de familiares por insegurança para caminhar, é importante compreender a origem dessa mudança. Dor, fraqueza, alterações de equilíbrio e problemas de visão são alguns fatores que podem interferir nesse comportamento. Assim, identificar o motivo da redução dos deslocamentos ajuda a definir medidas capazes de preservar a segurança e a independência do idoso.

Como pequenas mudanças podem indicar perda funcional?

A perda de funcionalidade muitas vezes acontece de maneira gradual. O idoso pode deixar de cozinhar, reduzir sua participação em atividades sociais ou passar mais tempo sentado antes que familiares percebam que houve uma alteração significativa. Por isso, mudanças de comportamento também merecem ser observadas. Quando essas alterações persistem ou aumentam com o tempo, podem indicar que alguma capacidade está sendo comprometida e merece avaliação mais cuidadosa.

O contexto ajuda a explicar o que está acontecendo. Uma pessoa pode estar menos ativa porque sente dor, tem medo de cair, perdeu confiança para sair sozinha ou encontra dificuldades no ambiente doméstico. Identificar apenas a limitação, sem investigar sua causa, pode levar a uma interpretação incompleta. Compreender esse contexto permite diferenciar uma dificuldade passageira de uma mudança que pode exigir intervenções específicas no cuidado.

Para o Doutor Yuri Silva Portela, observar essas mudanças no cotidiano amplia a compreensão sobre o paciente. O foco passa a incluir não apenas a doença identificada, mas também a forma como ela interfere na independência e nas atividades que fazem parte da vida daquela pessoa. Essa perspectiva ajuda a direcionar o acompanhamento para necessidades concretas e para a preservação das capacidades que ainda estão presentes.

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