O médico radiologista Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues lembra que o carcinoma lobular invasivo responde por cerca de 10% a 15% dos cânceres de mama invasivos, o que o torna o segundo tipo mais frequente da doença. Apesar disso, é um dos tumores mais desafiadores para o diagnóstico por imagem. A forma como suas células crescem dentro da mama ajuda a explicar por que ele pode passar despercebido na palpação e até na mamografia.
Um tumor que cresce em fileiras
A maior parte dos cânceres de mama, do tipo ductal, forma um nódulo com bordas que podem ser identificadas na imagem e, muitas vezes, sentidas ao toque. O carcinoma lobular se comporta de outra forma. Suas células perdem uma proteína de adesão chamada E-caderina e passam a se espalhar em fileiras, infiltrando o tecido normal sem formar uma massa compacta.
O resultado é uma lesão difusa, que altera a mama de maneira sutil. Em vez de um caroço, a paciente pode perceber apenas um espessamento, uma área mais firme ou uma pequena mudança no formato da mama, sinais facilmente confundidos com variações normais do tecido.
Por que a mamografia pode não mostrar
Como não forma um nódulo bem delimitado, o carcinoma lobular costuma ter densidade semelhante à do tecido ao redor. Em muitos casos, aparece apenas como uma distorção discreta ou uma assimetria, e com menor frequência produz as microcalcificações que ajudam a identificar outros tumores.
O desafio aumenta em mamas densas, em que o tecido glandular já dificulta a leitura. Segundo Vinicius Rodrigues, o tumor lobular é um dos exemplos que explicam por que a comparação com exames anteriores é tão valiosa: uma mudança sutil entre duas mamografias pode ser o único sinal da doença.
Quem tem mais chance de desenvolver
O carcinoma lobular é mais comum em mulheres acima dos 50 anos e tem relação mais forte com fatores hormonais do que outros tipos. O uso prolongado de terapia hormonal combinada na menopausa está associado a maior incidência desse subtipo.
A maioria dos tumores lobulares expressa receptores hormonais, o que influencia o tratamento e permite o uso de terapias que bloqueiam a ação do estrogênio. Mutações em genes específicos, como o CDH1, também aumentam o risco, embora sejam raras. Nas famílias com essa alteração, o câncer de estômago do tipo difuso também aparece com mais frequência, o que reforça a importância do histórico familiar completo.
O papel da ressonância e de outros métodos
A ultrassonografia pode identificar áreas alteradas que não aparecem na mamografia, sobretudo quando direcionada a uma região em que a paciente percebeu mudança. A ressonância magnética, porém, é o exame mais sensível para o carcinoma lobular, porque mostra a captação de contraste pelo tumor independentemente da densidade da mama.
Após o diagnóstico, a ressonância é frequentemente usada para avaliar a extensão da doença. Na avaliação de Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues, o exame ajuda a planejar a cirurgia, já que o carcinoma lobular tende a ocupar uma área maior do que a estimada pela mamografia e, com mais frequência, surge em mais de um ponto da mama ou nas duas mamas.
Atenção às mudanças sutis
O carcinoma lobular reforça uma mensagem importante sobre o rastreamento. A mamografia continua sendo a base da detecção precoce, mas tem limites, e alguns tumores exigem atenção redobrada a sinais discretos, tanto na imagem quanto no exame clínico.
Mulheres que percebem espessamento, mudança de formato ou retração da pele devem procurar avaliação mesmo com mamografia recente normal. Conforme destaca Vinicius Rodrigues, a combinação entre exame clínico atento, comparação cuidadosa de imagens e uso criterioso de métodos complementares é o que permite reduzir o atraso no diagnóstico desse tipo de tumor.



